Rejeição ao ocultismo, na África.

Por: Kofi Akosah-Sarpong.

Tradução: de José Luiz Pereira da Costa, jornalista.

Kofi Akosah Sarpong analisa como os estudantes são introduzidos na cultura do vodu e as implicações disso em nosso processo de desenvolvimento. Numa atmosfera que lembra a Era do Iluminismo Europeu, as elites ganenses, gradualmente, estão afastando valores que julgam contraproducentes para o seu progresso. Enquanto uns creditam à globalização e comunicações internacionais a luz que ilumina agora esse processo cultural as elites de Gana merecem o crédito de apropriarem se desses valores globais, usando os no seu processo de desenvolvimento e liderando, mesmo, a condução desse movimento, na sub região que chafurda em perigosas superstições que obstruem o progresso. Muitas das atrocidades que ocorreram nas guerras civis da Libéria, Serra Leoa e Costa do Marfim tinham estritos vínculos com as crenças de feitiçaria, através do vodu e outras formas de animismo. É nesse contexto que o Dr. Kwesi Andam, vice reitor da Universidade Kwame Nkrumah, de Ciência e Tecnologia, alerta seus estudantes para que desistam de envolverem se com as praticas de ocultismo, ocupando se, sim, no processo de desenvolvimento, em marcha. Tanto mais ao constatar que alguns alunos da escola secundária de Kumasi foram flagrados em praticas que visavam demonstrar que tinham conseguido corpo fechado, tanto que poderiam lutar contra pessoas portando armas brancas, sem que fossem atingidos. Nenhuma sociedade se desenvolve quando as pessoas dão mais valia ao irracional do que ao racional, especialmente quando esses supostamente iniciados, ou em processo de iniciação, em racionalizando problemas, simultaneamente se entrincheiram em crenças irracionais, como relatou Andam a respeito daqueles estudantes ganenses. Eles se tornam confusos, pessoas que entregam à feitiçaria e outras forças ocultas a solução de todos os seus problemas, como afirmaria o atual ministro da Agricultura, Courage Quashigah, integrante da nova geração de ganenses que se opõem a valores tradicionais. Os jovens se tornam fracos, e, como elites que são, depositários pois da esperança para o aprimoramento da sociedade, ao invés de colaborarem para a iluminação, ensombrecem a sociedade e desencaminham as massas. Andam referiu se a estudantes envolvendo se em ocultismo, em sentido estrito todavia, esqueceu-se de que falava para estudantes ganenses, e que sua noção de ocultismo emanava, primeiro, de sua própria cultura, e, ainda, que em tempos quando em prestígio a feitiçaria, importantes professores ajudavam seus alunos a participar desse jogo. Todavia, Andam à parte, vêem se nenhuma autoridade educacional, mestres de escola, pais e outros falando sobre a influência dessas práticas no desenvolvimento de Gana. Por quê? Porque autoridades educacionais de hoje foram forjadas nessas praticas, quando eram elas os estudantes, e nelas crêem. Dirk Kohnert, do Instituto Alemão de Negócios Africanos, em Hamburgo, demonstra em seu livro Magic and Witchcraft (Magia e feitiçaria): A crença em forças ocultas está ainda profundamente enraizada em muitas sociedades africanas, apesar da instrução, religião e classe social de seus povos. O rápido crescimento da adesão aos cultos animistas é um resultado direito de pressão e tensão gerados pela pobreza, bem como das oposições internas pela manutenção de regras da democracia. Na medida em que a sociedade ganense se torna mais competitiva, as pessoas buscam o apoio espiritual de pais de santo, macumbeiros em geral; mas por quê? Por causa de um modelo de pensamento criado por sua própria cultura. As crenças ocultas produzem em escudo fraco contra os efeitos corrosivos da vida, numa região que é a mais pobre do planeta, tecnicamente instável, e que conduz o resto da África ao vodu, à feitiçaria, a outras formas de ocultismo e às milenares praticas de animismo. A advertência de Andam é, assim, um chamado para a redefinição de aspectos da cultura ganense que sabotam a racionalidade e o progresso, especialmente considerando o fato de que seus estudantes, cada vez mais, buscam se envolver com esses movimentos irracionais. Imaginem se, jovens que crescem nesse meio ambiente, quando se tornam adultos, iniciados em regras de ocultismo, ao chegarem às posições de administradores e se deparem com dificuldades, as mesmas que os adultos de hoje suportam, irão buscar a solução nas palavras de anônimos médiuns nativos? O resultado será um ciclo de confusão, instabilidade, crises, medíocre desenvolvimento, irracionalidade, pobreza de pensamento, medo, suspeita, falta de confiança um clima generalizado da síndrome de PHD, ou Pull Him Down (Derrubar o próximo), aprisionando o movimento civilizador (civilização é um processo em marcha que pode ser enfraquecido por crenças irracionais). Nesse respeito, Andam não vai adiante incluindo vodu, macumba e outros ritos de ocultismo africano, que há muito têm causado impacto negativo ao processo de desenvolvimento do continente. O que desejo dizer é: Andam deveria ter incluído em seu discurso alguns aspectos de nossa cultura, e daí mostrar como o uso de forças ocultas causou tanto dano e tantos problemas. Dos primeiros golpes de Estado de Kotoka Africa,aos de Jerry Rawling, valores atávicos de nossa cultura foram usados para a perpetração de atentados à regimes democraticamente escolhidos. O vodu, a macumba, também têm sido formadores de assaltantes à mão armada, artistas mambembes, como seus mágicos de beira de estrada, batedores de carteira e outros criminosos. A maioria desses delinqüentes, antes, foram jovens estudantes que abandonaram as escolas. A realidade de que em nosso desenvlvimento marchamos um passo adiante e damos dois passos atrás, emana da veneração a esses valores negativos de nossa cultura. Nos termos das análises de Andam, o fato é que, à margem estar a sociedade ganense focada em tais práticas, muitas escolas dão força a tais crenças, pela utilização das mesmas, quando promovem partidas de futebol. E essa crença não se limita aos estudantes, mas aos próprios jogadores e não se circunscreve aos clubes estudantis, mas à própria seleção nacional. Isto posto, em muitas escolas onde é de se esperar que os alunos obtenham treinamento para o racional, são, ao mesmo tempo, treinados para serem irracionais. Têm-se mentes onde se movimentam pensamentos racionais e irracionais. E o resultado são escolas que formam alunos incapazes de confrontar problemas. E os por natureza mais fracos, tornam-se mais irracionais do que racionais fazem-se brutalmente dependentes das crenças e vítimas fáceis de feiticeiros e congêneres. No país, pessoas buscam mitigação para suas angústias visitando cartomantes, pais de santo, marabus e outros feiticeiros. E uma vez que são incapazes de racionalizar quais realmente são os seus problemas, ficam atribuindo a essas forças exóticas seus males. Assim, o que temos aqui são estudantes utilizando mais a parte mágica de seus cérebros do que a racional, ao confrontarem se com dificuldades. Isto também se reflete em pessoas com grau universitário, que não conseguem ser racionais são crédulos, ingênuos e que foram incapazes de se livrar dos aspectos negativos de sua cultura ancestral. O resultado disto é terem-se marabus, pais-de-santo e outros ocultistas controlando o Estado. Assim, o perceptível problema com o Estado é, logicamente, o problema com nosso ocultismo nativo, via esses personagens. As implicações morais da socialização dos estudantes pelas suas escolas e comunidades às praticas de ocultismo é o que enfraquece a sua fibra moral e solapa o trabalho de diversas igrejas, mesquitas e outros centros religiosos. A cultura é um valor extremamente poderoso, e comumente define tudo o que se deve fazer, inclusive nossa noção de progresso. O famoso jornalista norte-americano, Robert Kaplan, em The Coming Anarchy (Advento da anarquia),no Atlantic Monthly, fala sobre a atividade positiva das igrejas na costa oeste da África sendo corroída pelo curandeirismo e outras práticas ocultistas, face sua inadequação a uma sociedade moral, Auma vez que são baseadas em forças ocultas irracionais, assevera Kaplan. AAqui os espíritos são usados para incitar vingança entre as pessoas ou entre grupos, uns contra os outros. Se as entidades religiosas devem operar numa atmosfera livre do ocultismo nativo, deveriam ser centro irradiador de progresso como o destacado sociólogo alemão Max Weber demonstra em seu livro The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism (A ética protestante e o espírito do capitalismo). Entidades religiosas ganenses e elites cada vez mais abertas, como o Dr.Kwesi Andam mantêm uma dura luta contra esses negativos valores culturais. Por todo o mundo, como o ilustre sociólogo Francis Fukuyama diz a respeito do processo de desenvolvimento europeu, em sua obra The End of Hiastory and the Last Man (O fim da História e o derradeiro homem), todo o processo de desenvolvimento ou progresso ter sua Aorigem espiritual,ou origem cultural. Todavia, isto se torna impossível ou enfraquecido ou solapado ou sufocado se a origem espiritual é enredada e entrincheirada em valores culturais negativos como vodu, a feitiçaria e outras manifestações similares. O alerta de Andam provê uma adequada base de dados sobre assuntos culturais que estão a entravar o desenvolvimento de Gana algo geralmente incômodo de ser tratado, às vezes por razões etnocêntricas, que devemos atacar em busca de nosso desenvolvimento e do processo civilizador.

Kofi Akosah Sarpong, residente em Ottawa, no Canadá, trabalhou como correspondente em Freetown, Serra Leoa, para o jornal de Lagos, Nigéria, África Concord Magazine. Escreve regularmente para a página oficial de Gana na internet.